quinta-feira, 30 de julho de 2009

Inspirando

Como já foi falado neste blog, para mim o grande barato de se fazer qualquer tipo de arte é notar a reação do espectador.

E eu estar aqui escrevendo agora é uma dessas reações.

Acabo de assistir o DVD Immagine In Cornice, que mostra a passagem da banda americana Pearl Jam pela Itália para cinco shows feitos nas cidades de Bolonha, Verona, Milão, Torino e Pistoia em 2006.

Mesclando cenas de bastidores, a banda passeando pelas cidades, passagem de som e etc, com um apanhado do que melhor rolou nos cinco shows, este DVD impressiona.

Impressiona ver uma banda de quase vinte anos ainda soar tão pesada e contundente. Os fãs devotos. O esforço do vocalista para aprender algumas frases em italiano para se comunicar da melhor forma com seu público. A fotografa cuidadosa e de bom gosto...

Ok. Todo mundo sabe que eu sou fã do Pearl Jam.
Mas é inegável a qualidade deste DVD e, por consequência, da banda.

O que mais me emociona vendo o Pearl Jam tocar é o contato com o seu público.
Com a maioria dos integrantes da banda já beirando os quarenta anos de idade, dá gosto ver a entrega de cada um no palco. Sem medo de fazer barulho, McReady e Gossard continuam vigorosos nas guitarras, Matt Cameron não deixa dúvida que é "O" baterista do Pearl Jam (impossível sentir saudade de algum de seus antecessores), Jeff Ament ainda pula feito moleque e Eddie Vedder não economiza o berreiro quando necessário e está cada vez melhor.

Uma vez li em algum lugar que o Pearl Jam passa uma imagem de banda dinossáurica, dessas que tocam há mais de trinta anos, não fazem tantos shows como no início, mas tocam com competência e se divertem com isso.
Acho muito legal essa comparação. Porque quando assisto um DVD como esse, sinto isso mesmo. Caras que gostam de tocar, viajar...já ganharam a grana que tinham que ganhar e agora tocam sem grandes pretensões senão se divertir, entreter e sempre cuidar de seu público, mostrando que são realmente gratos a ele.

Eu não conheço nenhum artista que faz o esforço que Eddie Vedder faz para se comunicar com seu público.
Quando o vi em 2005 falando frases e mais frases em português naquela mágica noite de dezembro no Pacaembu, fiquei realmente honrado em ver que o cara aprendeu a falar a minha língua...
Neste DVD podemos ver Eddie Vedder com uma intérprete treinando suas frases dizendo em inglês o que quer dizer ao público e ela ensina a frase em italiano para ele...ele anota e fica treinando a pronúncia.
É muito bacana mesmo!

E pensar que a maioria se limita a aprender o "obrigado".

Mas sem dúvida, o principal aqui é a música.
E vendo o Pearl Jam tocando com toda aquela paixão, eu sinto vontade de ligar para meus amigos de banda e chamá-los para tocar. Sinto vontade de compor canções tão fortes e poder tocá-las para um público tão apaixonado.
E principalmente me sinto inspirado. Fico orgulhoso de tocar numa banda de rock n' roll, de fazer isso com a mesma paixão que eles.
Me sinto forte o suficiente para não abandonar jamais essa que a coisa que mais amo no mundo.

Portanto, fica a dica.
DVD Immagine In Cornice (Pearl Jam live In Italy)

Não só para fãs da banda, mas para amantes de música de verdade.


Passarinho, que som é esse?


Into The Wild - Eddie Vedder


Aproveitando o assunto do post de hoje, venho falar-lhes também deste disco belíssimo do vocalista do Pearl Jam em projeto solo.

Into The Wild é um filme escrito e dirigido pelo Sean Penn. Eddie Vedder foi convidado a escrever a trilha sonora do filme e, pelo que consta, teve carta branca de Penn para fazer o que quisesse.

O resultado foi um disco sublime independente do filme.
Para quem não conhece bem o Pearl Jam, vai estranhar muito, pois as canções são todas essencialmente folk. Músicas serenas e introspectivas.
Quem já conhece bem o PJ sabe que o folk é parte do DNA da banda, haja visto que eles já substituíram a banda Crazy Horse em uma turnê, acompanhando o monstro-sagrado Neil Young, tido como "pai da matéria" em se tratando de folk.

Voltando ao disco.
Eddie Vedder caprichou nos timbres de violão e nos arranjos.
No Ceiling e Rise são belíssimas, contando com banjo e tudo.
Ecos do Pearl Jam e das referências rockers de Vedder como The Who e o próprio Neil Young aparecem nas ótimas Setting Forth e Far Behind.
Mas o grande destaque fica por conta das canções mais introspectivas, em tom de desabafo.
Society (minha favorita do disco) é de doer de tão bonita. Apenas na voz e violão, Eddie Vedder deixa transparecer uma certa angústia...
End Of The Road é puro Neil Young. Uma balada doce com guitarra dedilhada e bateria suave. Perfeita!
Guaranteed é linda, contando apenas com um violão dedilhado e uma melodia acolhedora.

Nas letras, Eddie Vedder continua questionador e apaixonado. Neste disco as letras parecem ainda mais pessoais do que nas músicas que escreve ao lado de sua banda. Confessional mesmo.

Sendo este o primeiro trabalho que Eddie Vedder faz sozinho, o saldo é extremamente positivo.

Into The Wild mostra que Eddie Vedder é um compositor maduro e talentoso e um músico competente e de muito bom gosto.

Enfim.
Vai correndo assistir o filme e ouvir o disco.


Este disco é para quem gosta de:
Fumar maconha na estrada, roda de violão, Neil Young, ser do contra, barba por fazer e cabelo ensebado, Elliot Smith, filmes cult.


Aperta o play, Macaco!- Sua Fama Faz Minha Inveja - Rafael Castro & Os Monumentais

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Luto!

Depois de muito ensaiar, publico este texto.
Texto que teve tantas linhas apagadas e re-escritas várias e várias vezes.
Porque o grande problema de quem vive não é ter ou não ter certeza. Não se trata só de acreditar em si mesmo nem ser alegre ou triste demais.

Porque ele tinha tudo isso! Dúvidas e certezas. Alegrias e tristezas.

Dizem que todo mundo tem um dom. Um talento especial.
Se essa generalização é correta eu não sei.
Mas sei que algumas pessoas que possuem um desses talentos acabam se moldando e vivendo por conta disso.
É uma coisa esquisita. Deliciosa.
É a única coisa que consegue fazer tu se sentir completo.
E também consegue fazer tu se sentir vazio.

É a poesia da arte.

Tu se torna personagem de tua própria canção. Do teu próprio filme.

Do teu próprio livro.

Você!
Este ser devastadoramente egocênctrico.
E ao mesmo tempo fraco e incerto.

O mundo real, para pessoas tão apegadas as seus talentos pode ser um lugar perigoso demais.
Uma vez nele, é difícil se manter sóbrio e ainda acreditar em tudo que se sonhou nos anos de inocência.
É difícil dar o passo adiante.
Mas a dúvida é o preço da pureza.

Todo mundo morre todos os dias, metaforicamente falando.

Este texto poderia muito bem falar de mim mesmo (e talvez até fale).

Mas por quê justamente nisso tu foi se meter a ser literal?


Para o amigo e grande escritor Fernando LePage (Ian Stein).


O legado:
O Verme da Big Apple

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pra Entender

"Pode me chamar de superficial, mas eu julgo sim uma pessoa pelos seu gosto musical e cinematográfico."
Assim fala o personagem Rob Gordon, interpretado por John Cusak, no sensacional filmee Alta Fidelidade, adapatação do livro de mesmo título de Nick Hornby.

E eu concordo com essa frase.
Não radicalmente, claro. Conheço pessoas incríveis que tem um gosto musical duvidoso e péssimo gosto para cinema.
Mas em geral me relaciono melhor com pessoas com perspectivas parecidas com as minhas em termos de artes em geral.

Estou dizendo isso porque hoje fui alugar alguns filmes e acabei alugando e assistindo um dos grandes filmes da minha vida.

Antes de falar sobre este filme, só quero que conste que assisti hoje também Força Policial (Pride And Glory, no original), o mais recente filme com o imbatível Edward Norton.
O filme é ótimo. Bem filmado, história envolvente e etc.
E Edward Norton mais uma vez não decepciona.
Quem me mostrar um filme ruim que Edward Norton tenha participado ganha um doce.

Mas tudo foi eclipsado quando começou Man On The Moon, O Mundo de Andy.

Se você quiser me entender melhor, me conhecer...entender porque faço determinadas piadas, ajo de forma esquisita de vez enquando...Pois então assista este maravilhoso filme que conta a trajetória de Andy Kauffman, um dos maiores artistas que os Estados Unidos já revelaram.

A visão de Andy Kauffman com relação as artes e a vida é bem parecida com a minha. A concepção de arte que mexe com o espectador de forma arrebatadora e desperta sentimentos diferentes...do riso ao ódio, das lágrimas à confusão...
Uma pessoa que tinha várias personalidades em uma só. Para no fim descobrir que não existe um verdadeiro Andy Kauffman. Porque todos os Andys eram verdadeiros. (Não, eu não contei o fim do filme...)

O filme é do diretor Milos Foreman (O Povo Contra Larry Flint), que não só dirigiu de forma sábia o filme, com o timing perfeito de todas as piadas e interpretações de Kauffman, como escolheu um elenco incrível.

Danny DeVito está perfeito no papel do empresário George Shapiro, sendo homem de negócios, mas também um visionário acreditando no talento de Kauffman mesmo nos momentos mais difíceis.

Paul Giamatti também cai como uma luva para o papel maluco de Bob Zmuda, parceiro e amigo de Andy.

Até a maluquete Courtney Love está especialmente bonita neste filme e com uma atuação impressionante.

Mas, obviamente, o grande e indiscutível destaque é Jim Carrey interpretando o personagem principal.
Carrey incorporou Andy Kauffman de forma impressionante. Para quem duvida, basta ir para o youtube e pegar videos com o próprio Andy Kauffman e depois comparar com as cenas do filme.
Mas o personagem de Jim Carrey vai além. É algo notável, inclusive na expressão facial do ator nas cenas finais, quando Kauffman já está com câncer em fase de desenvolvimento.

Apesar de o filme figurar na seção de comédia na maioria das locadoras, ele é um drama emocionante. É uma história que vai além do humor. É um filme que mostra a indústria do entretenimento sendo engolida por ela mesma. E dá uma boa amostra do que talvez seja arte de verdade.

A vida imita o vídeo, amigos a amigas.
O mundo, a vida...essas sim são as grandes piadas do universo.

Passarinho, que som é esse?

First Band On The Moon - The Cardigans

Qualquer pessoa que tenha vivido em sociedade, com acesso à rádio e/ou tv na década de 90 deve se lembrar do grande sucesso da música Lovefool. Uma canção que nasceu hit e foi impulsionada pelo carisma e beleza de sua intérprete, por entrar na trilha sonora do filme Romeu e Julieta (de 1996, dirigido por Baz Luhrmann com Leonardo DiCaprio) e clipe estourado na MTV.

O que a maioria das pessoas que se lembram dessa música não se deram conta é da qualidade do restante da obra da banda The Cardigans.

A banda começou em 1992 na Suécia como uma banda indie com uma sonoridade mais pop do que alternativa.
Em 1994 a banda lança seu primeiro disco, Emmerdale, emplacando localmente a canção Rise And Shine, já deixando claro o talento de Peter Svensson e Nina Persson, guitarrista e vocalista respectivamente, para compor melodias grudentas e saborosas.

Em 1995 chega o segundo disco, Life. O hit Carnival leva o nome da banda para além das fronteiras suecas e mostra um avanço musical, com músicas mais bem trabalhadas, cada vez mais evidenciando as qualidades vocais de Persson. Também destaca-se neste disco a inusitada, porém muito inspirada, interpretação da banda para a música Sabbath Bloody Sabbath, clássico do metal que ganhou tratamento lounge.

Mas o ano de 1996 foi o ano dos Cardigans.
O disco First Band On The Moon, empurrado pelo sucesso avassalador de Lovefool varre o planeta.
Quem teve a boa vontade de ouvir o disco todo e não só seu grande hit, com certeza teve uma surpresa agradabilíssima.

First Band On The Moon é recheado de hits em potencial. Músicas tão doces e encantadoras que dá pra imaginar que foram escritas com muito carinho...
O disco já abre a dançante Your New Cuckoo mostrando que a banda não tem vergonha de mostrar suas raízes (alguém falou em Abba?).

O que se ouve em seguida é uma sequência de canções que poderiam, sem exceção, figurar no dial de qualquer rádio sem fazer feio.
Muito dessa qualidade deve-se à impecável produção de Tore Johansson, que deu um acabamento pop refinado às canções de Persson e Svensson.

O disco traz além de grandes canções como a citada Lovefool, Been It, a sixtie Never Recover, Choke e a linda Great Divide, duas referências ao disco anterior:
A primeira é a canção Happy Meal II, espécie de continuação da canção Happy Meal (que figura no disco Life), com mesma estrutura melódica e letra parecida.
A banda também repete a dose fazendo mais uma releitura de um clássico do Black Sabbath. A bola da vez foi Iron Man, que ganhou um ar jazzy moderninho que, para muitos, reduziu a pó a versão original da canção.

Depois deste disco os Cardigans ainda lançaram mais três discos, mas nenhum que alcançasse a perfeição e equilibrío deste First Band On The Moon.
A banda continua em atividade. Atualmente leva um som um pouco mais melancólico que o pop ensolarado de Lovefool e Never Recover, mas continua uma banda talentosíssima e singular num cenário pop cada vez mais enlatado.

Em resumo:
Disco mais que recomenadado!

Este disco é para quem gosta de:
Balada, Abba, vodka com energético, Semisonic, dizer que é eclético, vocal feminino, melodias bubblegum, comédias românticas.

Dá o play, Macaco! - Let Me Go - Cake






domingo, 26 de abril de 2009

Comunicanções

Estamos em um tempo de constantes evoluções. Tudo é muito rápido e absurdamente fadado a ficar obsoleto.
Ano dois mil era futuro a pouco tempo atrás. Agora já é passado morto e enterrado.

Nossos pais e avós presenciaram mudanças fantásticas também.
A televisão mudou completamente o mundo e as comunicações. Diziam que a televisão acabaria com o rádio e etc. Depois, veio o computador, depois a internet...mas isso, a cada pelo menos vinte anos.
Nós em menos de vinte anos vimos o vinil dar lugar ao CD, que deu lugar ao DVD, que provavelmente dará lugar ao blue ray e por aí vai.

O mundo da mídia e das comunicações também sente isso na pele.
O jornal Seattle Post Intelligence recentemente parou de circular como mídia impressa na terra de Kurt Cobain para ser apenas um jornal on-line!
Cada vez mais, publicações preferem ser apenas on-line. Não se gasta papel, distribuição...

Na França, o governo tenta manter seus principais jornais circulando pagando assinaturas para os cidadãos, incentivando-os a manter a rotina de ler jornal tomando café. Atualmente, cada jovem que completa dezoito anos na França ganha de presente uma assinatura do Le Monde.

Olha que loucura!
A famosa cena do pai sentado lendo jornal domingo depois do almoço de domingo, ou tomando café da manhã está morrendo!

Onde isso afeta diretamente o trabalho do jornalista? Afinal, muda a mídia, mas o texto ainda é o mesmo, certo?

Errado.

A internet requer informações rápidas. Não tem blá blá blá.Tu escreve "Avião caiu na costa da Austrália matando 154 pessoas." Aí tu escreve um parágrafo dizendo que horas e de onde o avião saiu, pra onde ia, quantas pessoas tinha lá dentro, quantas morreram e pronto.
Se tu quiser saber mais, tem o famoso "clique aqui" que te leva a um texto maior.
Veja você que, em contra partida, hoje muita gente usa a internet como meio de justamente burlar essa rapidez de informação em textos informais e, às vezes, um pouco mais longos, porém não menos informativos. Jornalistas como Marcelo Tas e o colunista Lúcio Ribeiro mantêm blogs constantemente atualizados com textos deliciosos e cheios de informação.

Às margens da entrada da TV digital, não dá pra gente prever os caminhos da comunicação e do jornalismo. Mas que ainda vem muita mudança por aí, isso com certeza vem.

Cada vez mais tudo no mundo é vendável. Principalmente informação e entretenimento.
E, sabe como é, no nosso peito bate um alvo muito fácil.

Um dos melhores filmes que vi recentemente aborda justamente o lance da tecnologia e manipulação de informação.

Trata-se do excelente Rede de Mentiras, do mestre Ridley Scott, com um cada vez melhor Leonardo DiCaprio e o veterano Russell Crowe.
O filme mostra o mundo da espionagem sem o glamour do James Bond. E deixa claro que não há mocinho e bandido nos jogos de poder.

É um filme eletrizante e tenso. Prende o espectador até o último minuto.
A dupla de protagonistas, DiCaprio e Crowe merecem destaque.

DiCaprio, a cada longa que faz se mostra mais maduro e seguro de si como ator. Em Diamantes de Sangue, ele já tinha me impressionado. Agora, interpretando um agente da CIA no Oriente Médio, sério e honesto, mas sem exagerar no bom-mocismo, ele cresceu ainda mais no meu conceito.
Russell Crowe já é dos meus atores favoritos. Como sempre, dá show de interpretação. Aqui, como superior de DiCaprio na CIA, ele interpreta com maestria um agente poderoso e frio, que não mede esforços para conquistar seus objetivos.

Ainda no mundo da espionagem e tecnologia, assisti o sensacional Queime Depois de Ler.
Sendo filme dos irmãos Coen, de ante-mão já se supõe ser um filme de qualidade.
Mas desta vez os diretores de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você se superaram numa comédia sem precedentes, com personagens tão reais quanto qualquer um de nós!

Se analisarmos bem, a película conta uma história de losers que se envolvem numa trama à partir de um CD com as memórias de um ex-agente da CIA que foi demitido por abusar demais da cachaça.

O elenco traz surpreendentes atuações. George Clooney, é um perfeito funcionário público conformado, meio idiota e mulherengo.
John Malkovitch é um bêbado recém-demitido, amargurado com a vida.
Frances McDormand é uma mulher de meia-idade obcecada por cirurgias plásticas.
E o grande destaque fica com Brad Pitt encarnando um instrutor de academia tapado que descobre os arquivos do CD com as memórias do ex-agente da CIA e resolve tirar proveito disso.

O filme é impagável!

O roteiro de Joel e Ethan Coen é maravilhosamente simples e torna os personagens pessoas comuns.
A grande graça do filme é essa. Toda a trama se passa em lugares e de formas como poderia acontecer com qualquer um.
Achar um CD no vestiário de uma academia e etc.
É um filme genial pela simplicidade e veracidade com que foi feito.

Uma coisa puxando a outra, falando em veracidade, eu gostaria também de escrever um pouco sobre música fora da seção "Passarinho, que som é esse?" pelo seguinte motivo.Várias pessoas vieram me falar que se surpreenderam ao ler uma resenha elogiosa da Mallu Magalhães aqui neste blog.

Portanto, eu quero deixar registrada aqui a minha opinião sobre música em geral, mas me baseando no caso da Mallu Magalhães.

É simples.

Tudo se resume aos sentidos. E sentimentos.
Para uma banda me agradar, basta, além de boas melodias, ter uma verdade, um sentimento latente ali. Isso fica perceptível na maneira como a canção é cantada, como cada instrumento é tocado, não necessariamente na parte técnica, mas na energia.

Quando eu ouvi Tchubaruba da Mallu Magalhães pela primeira vez me impressionei. Além de uma melodia saborosa pensei: "Opa...tem um coraçãozinho batendo forte aí."A garota passa na sua voz, na maneira de cantar, uma inocência e uma paixão que tornam as canções atraentes.
Acho que muita gente pegou birra dela por ela estar com o Marcelo Camelo...ou por ela ser tão jovem...sei lá.

Mas o fato é que ela é talentosa sim, faz folk com propriedade e sabe do que está falando e é bem autêntica na maneira de cantar.

Daqui pra frente é torcer pra ela seguir uma carreira sólida e não se acomodar na mesma fórmula.
Mas acredito que ela, tendo como referências Bob Dylan, Joni Mitchell e Johnny Cash, ela só tem a crescer musicalmente.

Agora sim...


Passarinho, que som é esse?


Buganvília - Pénelope


Sim, a injustamente esquecida banda Penélope!

Lembra? É aquela que tocava Holiday ("Espero o dia passar/ Espero o dia passar/ Ai ai ai ai/ Não toque em mim...") e que regravou Namorinho De Portão, do Tom Zé...

Pois bem, em 2001, a banda lançou este que foi seu segundo disco. Um disco que apresenta uma banda amadurecida e coesa! Com um estilo bem definido! Composições melhores que as do primeiro disco (Mi Casa, Su Casa), que também é um disco muito bom, mas meio cru e sem deixar clara a proposta da banda, atirando pra todo lado, musicalmente.

Neste Buganvília, a banda Penélope sentou o pé no pedal de distorção da guitarra e entrou de cabeça nos anos sessenta. Ouça o moog de Filme da Alma, a levadinha de violão e o naipe de metais de Um Quarto Para As Horas e a participação de Wanderléia na jovem-guardista Não Vou Ser Má e tu vai enender do que eu estou falando.

Outro ponto positivo do disco é que a banda deixou de abusar das programações eletrônicas, músicas como Abrigo e Der Mond, do primeiro disco, exageravam nesses recursos e acabavam sendo meio chatas (soando meio como a Bjork). Neste segundo disco, a banda acertou em cheio, dosando em algumas poucas faixas uma ou outra coisa eletrônica de forma atraente como a viajandona Junto Ao Mar.

Mas a banda deixa claro que o negócio ali é com rock n' roll!
Músicas energéticas como Nada Melhor Pra Mim e A Menor Distância Entre Dois Pontos acabam deixando o ouvinte curioso para ver a banda ao vivo!

A combinação de melodias da banda encanta qualquer um! Há quem não goste dos vocais da belíssima Érika Martins, mas pra mim, é uma das melhores vozes femininas que eu já ouvi no rock! A voz doce da namorada do Gabriel Tomáz ( guitarra e voz da banda Autoramas) cai como uma luva nas guitarras distorcidas e melodias doces da banda!
É uma pena que a banda tenha acabado sem ter sido devidamente reconhecida.
Pelo menos deixou este belo disco como registro maior de sua obra. Um disco que foi ignorado pela crítica na época, mas é irretocável.

Recomendado!


Este disco é para quem gosta de:
Power pop, comer brigadeiro, reclamar da TPM, Teenage Fanclub, cor de rosa, chorar em fim de comédia romântica e Skank.



Dá o play, Macaco! - Sob O Tapete - Engenheiros do Hawaii

terça-feira, 31 de março de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mudanças

Com o outono, chega a sensação de mudança.
Passou o carnaval e, dizem que, agora o Brasil começa a funcionar.

Eu nunca entendi muito de políticas e etc. Sempre fui do tipo "amar e mudar as coisas me interessa mais".
Mas nota-se que as coisas andam meio erradas neste país.
Um delegado que se diz preocupado com a eficiência da polícia e admite a existência de milícias e comandos de extermínio é preso. O cara que atirou no pessoal que estava trabalhando no loteamento onde eu trabalho foi preso, reconhecido na delegacia e mesmo assim foi solto! Um outro cara que mora na mesma favela que esse cara que atirou no turma do loteamento foi preso porque não pagou pensão alimentícia...e ficou em cana!
Polícia civil e militar que deveriam trabalhar em conjunto, não só não se bicam, como o que uma puder fazer pra atrasar o lado da outra, faz.
E assim vai.

Bandido cada vez mais se acha dono do mundo, se acha intocável...

Tinha que começar a aparecer por aqui uns malucos que tem nos Estados Unidos como o Master Legend, que se auto-entitula siper-herói da vida real. Trata-se de um cara que, simplesmente, se fantasiou e saí pela rua atrás de bandidos.
A Rolling Stone publicou uma matéria muito bacana sobre esses figuras.

Claro que eu falo e tal...acho muito bacana, mas deixo pros malucos de verdade.
Eu que não me meto a besta de me mascarar e sair balançando minha pança Vila Barros afora em busca de bandidos.

Faço minha parte pela paz no mundo tocando canções doces e melodiosas para tentar abrandar alguns corações.

Minha demo está para sair em breve.
Faltam duas músicas a serem gravadas, o que acontecerá assim que meu produtor, Marcão Desco, retornar de sua lua-de-mel.
A capa ficou bacana, por conta do bom e velho el escama.
Enfim, a coisa está encaminhada.
Enquanto espera o troço sair, dá uma olhada no myspace onde você pode ouvir algumas das canções que entrarão na bolachinha.

www.myspace.com/paulomopho

Estes dias, reacendeu em mim a chama da paixão pela fotografia.
Peguei minha camerazinha digital e saí pela cidade em busca de coisas para fotografar.
Estava meio enferrujado e a câmera não ajuda muito, pois o foco dela é bem ruim.
Mas algumas fotos se salvaram e coloco elas abaixo aí pra vocês conferirem.

Sinto falta de fotografar com a minha velha Zenit manual. Mas só de pensar que entre comprar filme e revelar, a brincadeira fica em pelo menos vinte reais, eu desanimo.

Mas, afinal de contas, o que é a vida, senão uma visão desfocada e nublada por sentimentos inexplicáveis?



Passarinho, que som é esse?


Fashion Nugget - CAKE

O CAKE sempre foi uma banda surpreendente.
Desde seu início na California, já chamava atenção por seu estilo dançante, misturando diversas influências.
Apesar de seu primeiro disco, Motorcade of Generosity, ter sido lançado em 1994, a banda só ganhou notoriedade em 1996 com este Fashion Nugget, puxado, principalmente, pela impagável versão de I Will Survive de Gloria Gaynor.
Mas o disco vai muito além.

Numa mistura precisa e deliciosa de country, funk, rock, ska e pitadas de hip hop, a banda faz de Fashion Nugget um disco irretocável!
As principais características da banda são o singular vocal de John McRea, suas letras irônicas, bem humoradas e inteligentes e o trompete marcante de Vince DiFiore.

No Brasil o CAKE ficou mais conhecido só em 1998, com o terceiro disco, Prolonging The Magic, que trazia entre outros sucessos as matadoras Never There e Satan Is My Motor.
Mas Fashion Nugget já vinha recheado de hits instantâneos.

O disco já abre com a emblemática Frank Sinatra, que chama a atenção pela letra intrigante e pela melodia saborosa beirando o rock alternativo de bandas como Pavement.

Também destacam-se The Distance e Nugget com uma levada dançante e repetitiva remetendo ao hip hop, mas com riffs criativos e sonoridade crua.
Friend Is A Four Letter Word é das mais conhecidas do disco e, sem dúvida, das melhores composições de McRea. A letra é linda e a música é pungente. McRea praticamente recita os versos enquanto a guitarra não para, com um solo na cara e uma energia incrível!
Com uma levada mais country She'll Come Back To Me também ficou bem conhecida e é dessas músicas deliciosas de se ouvir, com uma levada cheia de suíngue e doçura. Menos conhecida, mas também uma saborosíssima canção alt-country é Italian Leather Sofa. Mais uma canção com uma letra super bem humorada e inteligente e um riff de guitarra grudento.

Não posso terminar a resenha sem falar das duas excelentes versões que a banda incluiu no disco.
A primeira é a, já citada, I Will Survive, que ganhou um tratamento rock n' roll com um suíngue inacreditável. O baixo de Gabe Nelson é surpreendente.
A segunda é a improvável Perhaps, Perhaps, Perhaps, versão em inglês do sucesso Quizás, Quizás, Quizás, clássica canção da música latina imortalizada na voz de Nat King Cole e do Trio Los Panchos. Nesta versão a banda abusa da latinidade de seu trompete, mas não economiza nas guitarras deixando a música super atraente.

É um disco fundamental para amantes de boa música!


Este disco é para quem gosta de:
Viajar com os amigos, dançar, som alternativo, Kings Of Leon, comida mexicana, camisetas estampadas.


Dá o play, Macaco! - I'm Down - the Beatles

quarta-feira, 18 de março de 2009

Tired of sex?

Estive relendo alguns posts meus, tanto aqui, quanto no meu blog antigo. Relendo um comentário do el escama, me pus a pensar...

É interessante pensar no amor como uma convenção. Uma herança de uma sociedade cristã, moralista e etc.
Claro, perde-se todo o romantismo da coisa.

Mas, racionalmente, se apaixonar, amar, acaba sendo um ato social.O rapaz se interessa pela garota, sente desejos e tenta conquistá-la.
Sim, porque sexo e amizade não é legal...tem que ter um compromisso.
Se ele consegue, começa um namoro. Se não consegue, vai pro bar se lamentar com os amigos.
Isso até conhecer outra garota.

Como homem, eu acho que seria legal isso.
Quero dizer.
Sexo pelo sexo, sem compromisso.
Não ter essa pressão toda de ter que conquistar a garota, namorar, ter briguinhas idiotas por ciúmes e etc...

Minha vida seria muito mais fácil.
A de todo mundo seria!

Mas o ser humano gosta é de complicar as coisas.
E eu acabo compensando meu lado cético acreditando que o amor é mais que uma convenção social.

Eu e el escama já conversamos por horas em botecos sobre isso tudo.
E sempre chegamos a mesma conclusão:
Eu finjo que não, tento escapar...
Mas eu não consigo querer uma garota sem estar, pelo menos um pouco, envolvido.
E não falo aqui só de amor incondicional.
Falo de tesão puro e simples.

Enfim...Definitivamente, eu estou precisando de sexo.
Urgente!



Passarinho, que som é esse?


Mallu Magalhães - Mallu Magalhães

Quando começou a crescer muito o falatório sobre a Mallu Magalhães, eu já fiquei com o pé atrás.
Aí veio a participação no disco do Marcelo Camelo (que ficou legal, admito)...virou meio hype.
Hype não é comigo. Então nem fui atrás.
Me mantive sem uma opinião formada, mas sempre com a dúvida ao meu lado.

Esses dias, buscando algum disco novo para ouvir, acabei caindo no link pra baixar o disco dela e mandei ver.

Depois de umas três audições, venho dar minha opinião.

É um disco muito legal por ser simples. Doce.
A garota convence na maioria das canções. A ingenuidade adolescente é refrescante para o folk-indie da adolescente.

Dou o braço a torcer.
Tchubaruba mereceu o falatório todo! É uma canção deliciosa! J1 também é linda. Abre o disco com perfeição.

Mas tem alguma coisa que ainda não me desce.
Não sei. Em algumas canções acho que os arranjos poderiam ser mais enxutos. É o caso de Angelina, Angelina e Vanguart, por exemplo.
É nítido que a graça das canções de Mallu é a doçura de sua voz por cima de arranjos simples como na singela Dry Freezing Tongue e na própria Tchubaruba.

Daria uma nota oito pro disco por algumas canções que se destacam muito pela sinceridade e belas melodias.
Talvez se o disco fosse mais curto, funcionaria melhor, não ficaria tão cansativo nas últimas faixas.


Este disco é para quem gosta de:
Acordar cedo, pagar de alternativo, Joni Mitchell, roupas de brechó, romances de verão, escrever em diários, Cat Power.



Dá o play, Macaco! - Mapas do Acaso - Engenheiros do Hawaii